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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A.L.E.M.A.N.H.A

Quem já fez uma viagem internacional sabe: tudo precisa estar nos "trinks".
Bom, tendo isso esclarecido, nada melhor do que uma semaninha pré-vôo depois do casamento, certo? Errado. Principalmente se vc for como eu e precisar recolher assinaturas para ter o seu diploma reconhecido no consulado, afim de poder mandá-lo para ser traduzido. Resumindo: a semana de lua-de-mel foi uma correria danada através de Curitiba, sua cidade linda.
A lua de mel teve que ser em Curitiba mesmo, já que Morretes estava abaixo d'água. Como a gente tinha escolhido um hotel a beira do rio Nhundiaquara pode imaginar o causo... Meus pais é que acabaram indo um mês depois em nosso lugar pra lua de mel.
Dia 20/03 foi entao o dia da grande despedida. Chegamos no aeroporto com quatro malas lotadérrimas e pouquissimo tempo para se despedir. Deu tempo pra dar dois abracos em cada um, catar os cds do Davi (ouco eles direto, mano!) e ir em direcao aos detetores de metais. Sério, se eu tivesse tido tempo para me despedir, teria desandado em lágrimas...
Chegamos em Nürnberg no dia seguinte, com o sol se pondo. Depois da noite mal dormida, o que mais queríamos era uma boa noite de sono. No aeroporto fomos recepcionados pelos meus cunhados e nosso padrinho com uma faixa de boas vindas, bolo e Rotkäppchen. :)

Outra surpresa gostosa foi chegar em Erlangen, no quartinho de estudante do maridao e encontrar a geladeira cheia e isso:

Bom, nada mais nos impedia de dormir MUITO! :P Valeu!

Passamos ao todo um mês em 14m². Até agora eu fico me perguntando como a gente aguentou isso! As tarefas foram bem divididas: marido procura trabalho, eu procuro casa. Nas horas vagas íamos a confraria encontrar os amigos ou dar um "rolê" pela cidade.

Como o maridao já morava a 7 anos no mesmo lugar, todo mundo que eu conhecia já virava meu amigo. Me senti super bem acolhida e se pudesse nao mudaria de lá. Mas...
Fato era que a gente chegou na pior época para procurar residência nova. Muitos alunos terminando o ginásio (ensino médio) em junho e já procurando local pra morar perto da uni naquele momento. Com isso os aluguéis subiram nas alturas e juntando que o maridao estava oficialmente desempregado, só consegui combinar 3 visitas, uma em Erlangen e as outras em Nürnberg e Fürth.
Ficamos com a de Nürnberg, com seus 55m², pelas conexoes de trânsito e pelos móveis inclusos. Mais uma vez tivemos ajuda do comitê que veio nos pegar no aeroporto, além da participacao de uma galerinha da confraria. Tiveram pao de queijo e cerveja como recompensa. :)




Até entao eu nao tinha tido tempo para abrir todas as minhas 6 malas (2 foram levadas à Alemanha pelos padrinhos amados). Com uma casa novinha em folha e muito espaco para decorar e encher, eu tive trabalho para um mês inteiro. Da mesma forma que fiquei chateada por muita gente ter nos dado presente de casamento (apesar de estar explicito no convite que nao queríamos devido ao vôo), fiquei feliz por ter uma mala cheia com diversos utensílios domésticos e toalhas! Gracas a estas pessoas e à minha mae e sua sabedoria, precisei comprar pouquíssimas coisas.
No meu aniversário tivemos as nossas primeiras visitas aqui em casa. O grupo foi pequeno e constava de 4 brasileiros, 3 alemaes e um cachorro, mas já deu pra encher a cozinha. :)


Maio e junho foram também os meses em que fomos no Einwohneramt, Standesamt, Krankenkasse e etc e tal. Ou seja, meique repeteco da correria que tivemos no Brasil, mas levando no modo slow. Estava mais do que na hora de eu ser conhecida pelas autoridades como mulher do meu marido! Só nao tinhamos feito isso até entao porque nao tínhamos a traducao da certidao de casamento e sem traducao nao tinha modo como eu comprovar ser a esposa do meu marido! Fico com comixao só de lembrar que tive que assinalar como solteira quando fomos a 1a vez no Einwohneramt.
Levei um bom tempo para me acostumar com Nürnberg. Diferente de Erlangen, aqui eu nao conhecia ninguém e, com meu marido fora durante o dia, eu tinha muitas horas livres pra fazer nada. Seguindo a dica dele, procurei atividades diversas para fazer durante o dia, participando da Cruz Vermelha, grupo de estudo bíblico, coral, oficina de cerâmica,... mas a maioria era durante a noite, o que significava que eu ficava fora quando meu marido já tinha chegado em casa do trabalho... Chato isso. Aos poucos fui ficando cada vez mais depressiva, comendo cada vez menos, tendo cada vez mais dores de barriga e dificuldade para respirar. O médico que eu consultava só me dizia que era falta de movimento. Decidi ir procurar uma psicoterapeuta em Bamberg. Foi uma das melhores decisoes que eu já tomei desde que eu estou aqui. Ela me ajudou a entender o processo pelo qual eu estava passando e a controlar a dificuldade para respirar. Aumentou ainda mais o meu interesse pela área da psicologia.
Em outubro tive que parar as sessoes por ter achado trabalho e nao ter mais tempo para ir até Bamberg. Outubro em si foi um mês bom, porque teve visita do meu pai e o comeco do San-Kurs (curso para paramédicos) na Cruz Vermelha. A visita do meu pai ajudou a matar um pouco a saudade e a quebrar muitos dos pré-conceitos que eu tinha do meu relacionamento com ele. Foi um tempo muito bom pra nós dois, com pedidos de perdao por fatos passados e visitas a pontos turísticos. Pena que ele só pôde ficar 11 dias!




O comeco do curso para paramédicos abriu as minhas fronteiras. Nao só me colocou denovo no caminho da medicina como também me trouxe amigos. Até hoje combinamos atividades em cima do laco e ficamos horas e horas conversando sobre os mais diversos assuntos. É muito bom poder ligar pra alguém e poder fazer isso! Eu nao tinha percebido o quanto isso me fazia falta!

domingo, 18 de outubro de 2009

Fui-me embora para pasárgada

Sim, voltei para o Brasil em 10 de julho, para a minha vida de antes, para o meu curso de antes. Mas voltar pareceu-me estranho, até mesmo irreal. Pareceu-me mais voltar para a vida de alguém diferente, alguém que não sou (mais) eu. Demorei a me adequar ao fato de morar com meu pai novamente e não ter mais a liberdade de antes de dar o taco de qdo vou dormir e qdo ficarei acordado. Ainda estou me adequando ao curso e estágio. E o estágio já está acabando. Pois é. Em poucos meses, passarei de estudante a oficialmente desempregada! E aí? O que fazer? Ir pra luta, né?! Com minha volta, decidi mudar algumas coisas: nada de curso de letras mais (corte no coração, mas necessário), abertura de twitter e abertura de um novo blog, charmosamente escrito somente em inglês. Porque convenhamos, aqui eu deixei uma baderna tal que praticamente ninguém visita pra ler. Entonces, se você sentir falta de mim e/ou quiser um pouquinho da nova Ana, me procure no twitter (ainda confusamente misturado em 3 línguas diferentes) ou no Justoutofblue. (:
Beijos estalados!
Xx

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Aiai... (ou: nem tudo na vida é flores)

Hoje foi pra mim um dos piores dias (levando-se em conta que ainda é quarta-feira, dia 3 de junho pra mim). Não só porque eu superpisei na bola comigo mesma como também fiquei chateada com um monte de gente. Fiquei pensando que estava mesmo mais do que na hora de voltar pro Brasil, que afinal eu nem faço tanta diferença assim. Daí, chego neste blog, o último post sendo de triséculos atrás e eu só consigo pensar de que nem pra isso eu sirvo mais.

Eu podia ter ligado para melhor amiga, namorado, mãe, papagaio - mas nem todo mundo tem ouvido de pinico e, pela experiência dos meus 26 aninhos que todo mundo fica me jogando na cara, eu devia conseguir solucionar isso sozinha mesma. Besta, eu sei. Mas, fazer o que? Uma hora a gente tem que crescer, né?! (Ou não)

Bom, o dia de hoje começou bem lá fora: solzinho gostoso, um pouquinho chilly, mas nada que não desse pra se aguentar fazendo uso de uma pashmina. Eu já comecei o dia tossindo, como tenho feito nas últimas semana e meia, tossindo pela casa inteira, passando minha doença pros outros, contribuindo para a saúde em geral da população. Fomos às 11h até a casa da Liz Harris, a coordenadora do curso GA que fazemos na OM. Lá encontramos toda a galera international juvenil de Carlisle. Ok, exagero, não toda, mas um bom grupo de alemães, americanos, canadenses, sul-africanos e brits locais. Nem preciso dizer que eu amo o curso, né?! É uma supermistura de culturas + refresh de uma semana inundada de britaniedade.

Ok, isso me ajudou.

O que piorou foi o fato de que cheguei em casa, botei a panela no fogo pra fazer cup noodles, entrei na net, descobri que tinha que estar em uma reunião no centro e que estava já atrasada, descobri que tinha ônibus passando naquele momento e saí correndo de casa. Cheguei a tempo na reunião, tive a reunião e saí pra acompanhar a Elisabet pra comprar algo no centro. Passando numa padaria, lembrei que tava com fome, pensei em sopa e daí lembrei: ESQUECI A PANELA NO FOGO!!!

Meu chapéu! Com'é que eu consigo esquecer ISSO???

Bom, liguei pra Sarah, a brit que mora com a gente e que também tá doente - não tava em casa. Liguei em casa - ninguém atendeu.

Peguei o ônibus, que deve ter demorado uns 10, mas que para mim pareceu 30 min. Abri uma porta, que, por milagre abriu de 1a mão, girei a chave no trinco da outra. A porta não abriu. Cedeu um pouco e percebi que internamente tinha um banco apoiado nela. QUEM APOIARIA UM BANCO CONTRA A PORTA DE ENTRADA DA CASA? Não sei, mas, com algum esforço consegui abrir, ir até a cozinha - toda esfumaçada, como podes imaginar -, desligar o fogo e colocar a panela pra fora pra esfriar e tirar cheiro de dentro da casa.
Abri todas as janelas e portas que consegui abrir (a casa é antiga e foi recém pintada). Tinha que mandar msg pro pessoal. Num impulso, mandei uma sms dizendo que a casa queimou. Tava escrevendo a 2a msg pra dizer que tava tudo bem, quando me ligam querendo saber da situação.
Não é engraçado como as pessoas ficam brabas quando você faz as mesmas brincadeiras que elas fazem contigo?!


Durante este ano fui acusada de não tolerar ironia, de ser muito dramalhona, barulhenta, mandona. Tiro um bom negócio disso: pelo menos, não fui hipócrita, falei o que pensava, fiquei com o coração na mão.
Também aprendi um negócio duro pra maioria dos brasileiros: ficar sozinho. Meio que me acostumei a ficar no meu cantinho no meu tempo livre, tornar o meu quarto o meu refúgio e fugir das pessoas. Isso, na verdade, tem me feito mal. Muito mal. E eu sei que não é aqui em casa que eu vou conseguir mudar isso, já que todo mundo é bixo do mato. Das duas uma: ou eu ainda mudo e tento conquistar o mundo, ou então espero mais um mês para daí finalmente voltar a ser brasileira. HELP!!!
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